O motociclista, perseguindo o pôr-do-sol, acelerou pelas estradas altas da serra. Curvas e mais curvas apareciam pelo caminho. Mas o Sol venceu. As luzes das cidades brilharam, lá embaixo, parecendo ser o reflexo das estrelas. E, na estrada, ele desviou das estrelas que vinham ao encontro dele em sentido contrário. Quando ele chegou, viu o brilho das estrelas nos olhos daquela bela menina.
Uma pequena abertura por entre as árvores que circundavam o lago fez acordar o velho morador daquele lugar. Sua casa fora construída em cima de uma árvore ao lado do lago e há muitos anos o velho senhor morava ali.
Com muita fome, ele desceu, pegou sua bicicleta e foi para a cidade em busca de comida. Estacionou sua bicicleta num poste em frente a uma lanchonete e esperou por alguma generosidade. Alguns minutos se passaram e o dono do estabelecimento ofereceu um pequeno pedaço de sanduíche.
O Velho senhor voltou para casa, já no final do dia. Estava de barriga cheia, mas ainda sentia sede.
O sol amarelado do final da tarde infiltrou-se pelas árvores e coloriu o lago. O Velho senhor, então, bebeu o suco de laranja que o sol lhe estava oferecendo.
James desligou o carro e respirou fundo, cansado. O som da porta do seu carro se abrindo assustou o silêncio da garagem do prédio. Foi até o elevador, entrou e apertou o botão do seu andar. Segundos depois, seu telefone tocou. Ele estava tão exausto que não tinha nem vontade de levar a mão ao bolso para atendê-lo. Mas obedeceu aos gritos do aparelho:
- Alô?
Silêncio...
- Quem está falando? – insistiu.
A porta do elevador se abriu e ele desligou o telefone. Andou pelo corredor e ouviu, lá de dentro de seu apartamento, o som do telefone sendo jogado no gancho com raiva.
Sua esposa estava irritada, reclamando descontroladamente do atraso. Ele esperou ela desabafar, olhou em seus olhos e não disse uma palavra. Apenas demonstrou um olhar de nada.
No dia seguinte, ele acordou bem cedo como de costume. No entanto, não tão cedo quanto ela, que precisava acordar antes para chegar a tempo no trabalho.
O dia passou, cansativo como sempre, e, novamente no final do dia, James estacionou seu carro no prédio.
“E o mundo gira imóvel como um pião” – Mario Quintana.
Quando se anda na rua, é fácil ver cenas estranhas. A velha gritou lá de dentro do bar e correu para fora. Ela começou a chutar uma lixeira de metal sem parar na calçada. As pessoas que estavam passando por perto ficaram horrorizadas: como poderia um cavalo andar na avenida mais movimentada da cidade? Sim, perto da lixeira passou um cavalo branco, mas que era preto, em direção à praça. Os carros desviavam rapidamente. O cavalo conseguiu chegar à praça sem ser atropelado. A lixeira caiu no chão. O dono do bar gritou com a velha. O cavalo começou a correr em volta da praça sem parar no sentido anti-horário. As pessoas da praça começaram a tirar fotos do cavalo. Horas depois, o cavalo-elétron cansou. O pobre animal deitou-se no meio da praça e adormeceu. A multidão se juntou para vê-lo. Não era um cavalo, era um veículo muito velho. Era um lixo. Rodou muito e parou. O carro subiu na praça e derrubou o chafariz. O motorista saiu da lata velha e falou: vou ao bar tomar uma cachaça.
Do alto do monte, ele observou pela última vez a destruição que ele próprio causara. Isolou-se. Pegou sua espada e caminhou em direção ao nascer do sol. Pois a escuridão já havia dominado o seu passado. A ventania fazia suas lágrimas deslizarem pelo rosto. E lá, no vilarejo destruído, as lágrimas trazidas pelo vento começaram a cair. O fogo nas cabanas foi apagando. A chuva terminou com o fogo. Mas não acabou com a tristeza do local. Tudo já estava destruído.
No dia seguinte, ele chegou às areias do litoral. Viu os pássaros voarem felizes pelas águas. Queria ter o mesmo privilégio. Olhou para o horizonte do mar e fechou os olhos. Sentiu nos pés a vibração dos passos cadenciados da tropa chegando. O grito da escuridão não o assustou. Ele abriu os olhos e os braços. Olhou para o céu e voou.
Ele defendeu e atacou. Viu o inimigo à sua frente e não titubeou. Com golpes decisivos, aniquilou a escuridão. De repente, o silêncio tomou conta do campo de batalha. Em sua mão, a espada brilhou refletindo a tragédia da vitória. E todos vibraram pela conquista quebrando o silêncio. Ele conseguiu. Lutou e sobreviveu. A Luz reapareceu por entre as nuvens procurando uma alma merecedora. Mas não encontrou nenhuma. Nem mesmo a do guerreiro vitorioso. As nuvens, então, fecharam-se novamente.
Saber ver as coisas na forma como devem ser vistas não é nada fácil. Existem aqueles momentos em que precisamos levar um tapa na cara para podermos entender e aceitar os acontecimentos. Um tapa dói, mas corrige. Uma palavra dura impõe a compreensão e nos endireita. Não há nada mais louvável na vida do que ouvir o que as pessoas tem a nos dizer. É muito bom poder conversar com os vários amores que temos ou que tivemos. Resolver os problemas de uma forma adulta, direta. Usar a razão para corrigir e doutrinar os próprios sentimentos e a emoção. Como é bom ter amigos! Como é bom sorrir! Tudo parece tão complicado no início, mas tudo é tão simples. No final, ser adulto não é tão difícil.