Nas proximidades do aeroporto, todos olharam admirados para o avião que acabara de decolar. De dentro da aeronave, os passageiros apontavam para baixo, apreciando a paisagem. Uma criança comentou com o pai sobre as pessoas, lá embaixo, que estavam abanando para cima. E o avião subiu. Lá no chão, os olhares se voltaram o vazio. E lá em cima, os olhares se voltaram para o futuro.
Sabe quando você conhece alguém por acaso? Quando você vai a um evento qualquer, ou simplesmente andar pela cidade. Você esbarra no acaso. Você passa por alguém. Aí os olhares se encontram. Pensamentos se conectam mesmo sem saber. Então, você pensa na outra pessoa, sem saber que essa outra está pensando em você. Mas por que você pensaria nessa pessoa? Foi só um olhar... Não sei. Talvez você nunca mais a encontre. Talvez você reencontre essa pessoa por acaso. Talvez você procure aquele olhar novamente. Mas é certo que aquele momento foi único, simples e perfeito.
Hoje eu resolvi escrever um texto diferente. Tive a oportunidade de tirar fotos com alguns dos melhores pilotos do planeta poucos minutos antes da apresentação. Os integrantes do EDA (Esquadrão de Demonstração Aérea) da Força Aérea Brasileira, também conhecida por “Esquadrilha da Fumaça”. A humildade e respeito pelo público mostram o porquê do sucesso desse grupo. A proposta da apresentação é demonstrar a capacidade tecnológica do país na área e mostrar que a Força Aérea é feita de homens comuns que trabalham com amor e dedicação para fazer o Brasil crescer. Sob uma chuva leve e céu escuro, a esquadrilha brilhou no céu e se apresentou de forma impecável, como sempre. Sinto-me orgulhoso de fazer parte dessa Força. Infelizmente não como piloto (eu bem que tentei ir para a Academia), mas como controlador de tráfego aéreo. No final, cumprimentei o número quatro e elogiei o show. Ele disse obrigado, com as mãos um pouco trêmulas pelo esforço físico e mental que a apresentação exige dos pilotos.
Cravar uma bandeira no chão e ficar estagnado num local faz parte da vida de muitas vidas. Uma mochila nas costas, o horizonte e a estrada fazem parte de outra parte. Quando alguém se transporta para outro lugar, onde tudo é novo e diferente, a vida se reinicia. Para uma parte dessas pessoas a vida passada permanece viva. Mas para outra, essa parte não importa. Passou.
Existem aqueles que carregam a bandeira na mão, a mochila nas costas e o passado no coração. Caminham pela estrada olhando para o horizonte sem medo. Certamente, estes um dia voltarão. Porque o amor da vida passada fica sempre cravado no coração.
O motociclista, perseguindo o pôr-do-sol, acelerou pelas estradas altas da serra. Curvas e mais curvas apareciam pelo caminho. Mas o Sol venceu. As luzes das cidades brilharam, lá embaixo, parecendo ser o reflexo das estrelas. E, na estrada, ele desviou das estrelas que vinham ao encontro dele em sentido contrário. Quando ele chegou, viu o brilho das estrelas nos olhos daquela bela menina.
Uma pequena abertura por entre as árvores que circundavam o lago fez acordar o velho morador daquele lugar. Sua casa fora construída em cima de uma árvore ao lado do lago e há muitos anos o velho senhor morava ali.
Com muita fome, ele desceu, pegou sua bicicleta e foi para a cidade em busca de comida. Estacionou sua bicicleta num poste em frente a uma lanchonete e esperou por alguma generosidade. Alguns minutos se passaram e o dono do estabelecimento ofereceu um pequeno pedaço de sanduíche.
O Velho senhor voltou para casa, já no final do dia. Estava de barriga cheia, mas ainda sentia sede.
O sol amarelado do final da tarde infiltrou-se pelas árvores e coloriu o lago. O Velho senhor, então, bebeu o suco de laranja que o sol lhe estava oferecendo.
James desligou o carro e respirou fundo, cansado. O som da porta do seu carro se abrindo assustou o silêncio da garagem do prédio. Foi até o elevador, entrou e apertou o botão do seu andar. Segundos depois, seu telefone tocou. Ele estava tão exausto que não tinha nem vontade de levar a mão ao bolso para atendê-lo. Mas obedeceu aos gritos do aparelho:
- Alô?
Silêncio...
- Quem está falando? – insistiu.
A porta do elevador se abriu e ele desligou o telefone. Andou pelo corredor e ouviu, lá de dentro de seu apartamento, o som do telefone sendo jogado no gancho com raiva.
Sua esposa estava irritada, reclamando descontroladamente do atraso. Ele esperou ela desabafar, olhou em seus olhos e não disse uma palavra. Apenas demonstrou um olhar de nada.
No dia seguinte, ele acordou bem cedo como de costume. No entanto, não tão cedo quanto ela, que precisava acordar antes para chegar a tempo no trabalho.
O dia passou, cansativo como sempre, e, novamente no final do dia, James estacionou seu carro no prédio.
“E o mundo gira imóvel como um pião” – Mario Quintana.