domingo, 20 de dezembro de 2009

Cumulunimbus


© 2009 Vinnicius Silva da Rosa

Do alto do monte, ele observou pela última vez a destruição que ele próprio causara. Isolou-se. Pegou sua espada e caminhou em direção ao nascer do sol. Pois a escuridão já havia dominado o seu passado. A ventania fazia suas lágrimas deslizarem pelo rosto. E lá, no vilarejo destruído, as lágrimas trazidas pelo vento começaram a cair. O fogo nas cabanas foi apagando. A chuva terminou com o fogo. Mas não acabou com a tristeza do local. Tudo já estava destruído.

No dia seguinte, ele chegou às areias do litoral. Viu os pássaros voarem felizes pelas águas. Queria ter o mesmo privilégio. Olhou para o horizonte do mar e fechou os olhos. Sentiu nos pés a vibração dos passos cadenciados da tropa chegando. O grito da escuridão não o assustou. Ele abriu os olhos e os braços. Olhou para o céu e voou.



sábado, 14 de novembro de 2009

Tu queres, Sim

© 2009 Vinnicius Silva


Fala comigo

Que eu quero ouvir

Fala pra mim

O que eu quero sentir


É só uma palavra

Pra gente sorrir

Mas tu não me falas

E eu fico infeliz


Por que é tão difícil

falar o que sente?

Pode não parecer

Mas tu só te mentes


Basta apenas dizer

Que tu gostas de mim.

Diga pra mim:

Sim.

domingo, 25 de outubro de 2009

A Eternidade do Combate

©2009 Vinnicius Silva

Ele defendeu e atacou. Viu o inimigo à sua frente e não titubeou. Com golpes decisivos, aniquilou a escuridão. De repente, o silêncio tomou conta do campo de batalha. Em sua mão, a espada brilhou refletindo a tragédia da vitória. E todos vibraram pela conquista quebrando o silêncio. Ele conseguiu. Lutou e sobreviveu. A Luz reapareceu por entre as nuvens procurando uma alma merecedora. Mas não encontrou nenhuma. Nem mesmo a do guerreiro vitorioso. As nuvens, então, fecharam-se novamente.

sábado, 17 de outubro de 2009

O que parece ser complicado...

© 2009 Vinnicius Silva

Saber ver as coisas na forma como devem ser vistas não é nada fácil. Existem aqueles momentos em que precisamos levar um tapa na cara para podermos entender e aceitar os acontecimentos. Um tapa dói, mas corrige. Uma palavra dura impõe a compreensão e nos endireita. Não há nada mais louvável na vida do que ouvir o que as pessoas tem a nos dizer. É muito bom poder conversar com os vários amores que temos ou que tivemos. Resolver os problemas de uma forma adulta, direta. Usar a razão para corrigir e doutrinar os próprios sentimentos e a emoção. Como é bom ter amigos! Como é bom sorrir! Tudo parece tão complicado no início, mas tudo é tão simples. No final, ser adulto não é tão difícil.

sábado, 26 de setembro de 2009

Amor e Amizade


© 2009 Vinnicius Silva da Rosa

O sol espiou pela janela acordando-o. Os pássaros batiam as asas rodeando a casa da árvore, procurando por alimento. Era um dia feliz para todos, mas para ele o céu limpo estava nublado. Tudo para ele estava ao contrário. Estava esperando que o amor viesse até ele.

Desceu da árvore pela escada improvisada e foi até o lago próximo. Lavou o rosto, respirou fundo e olhou para as montanhas ao longe. As folhas secas depositadas na grama estalavam de dor quando ele caminhava. Para ele, o som parecia ser do seu corpo se desfazendo. Sem forças para subir novamente a escada, sentou-se próximo à árvore e começou a observar a região. Os montes azulados ao fundo, o lago que espelhava os pinheiros do outro lado, a pequena cidade próxima com sua singela, mas imponente cruz da igreja.

Subitamente, ele sentiu alguém tocando no seu ombro. Olhou para trás, mas não viu quem esperava. Era seu amigo de infância que estava muito preocupado.

- E aí, cara. Está melhor?

Com pouca vontade esboçou um sorriso de canto de boca dizendo:

- Estou sim.

O amigo sentou-se ao seu lado e ficou em silêncio, esperando por alguma manifestação otimista. O tempo começou a mudar, nuvens pesadas surgiram nos céus, ventos fizeram tornados com as folhas e a fotografia da região se acinzentou. Seu amigo então falou:

- Está começando a chover, preciso ir para casa. Vê se melhora, está bem? Vou para lá ver como te ajudar. Talvez você precise ficar sozinho, só por agora. Vou ver o que posso fazer por você.

E o amigo foi embora correndo.

A chuva pesada já caía como pedra, mas ele ainda permanecia imóvel sentado ao lado da árvore. Já não sentia mais seu corpo, o frio estava intenso e ele não tinha forças mais para nada. Alguns minutos mais tarde, outra vez, alguém tocou no seu ombro.

Ele sorriu, deu a mão e subiu para sua casa com ela. Lembrou que existia um amigo que o amava, que existia sua família, que tinha uma vida inteira pela frente para sorrir. Ele deu as mãos para a felicidade e o céu novamente se abriu. Ele era amado, só precisou esperar e acreditar no amor e na amizade.



domingo, 6 de setembro de 2009

Amar, cuidar...

© 2009 Vinnicius Silva da Rosa

A menina se aproximou da imponente porta da igreja, fez seu ritual e entrou. Procurou um bom local para se sentar. As paredes cobertas de ouro e as imagens religiosas faziam o silêncio ecoar. Mas, pouco tempo depois, um latido simpático de um cãozinho chamou a atenção até mesmo dos santos que estavam ali há muitos anos olhando para o nada. A menina olhou para trás e viu o pequeno animalzinho correr feliz por entre os bancos. O pequeno animal latia tranqüilo chamando a sua dona, uma velha senhora, para se sentar próxima à menina. A senhora ali então se sentou e fechou os olhos para orar. O cachorrinho pulou no colo da menina e balançou o rabinho faceiro. A velha senhora interrompeu sua oração, olhou para a menina e falou carinhosamente:

- Querida menina. Eu não posso mais cuidar do meu pequeno animalzinho. Você é uma boa menina, de uma boa alma. Eu sinto isso. Quero que você cuide dele para mim.

- Eu amo os animais! Mas a senhora tem certeza?

A senhora sorriu e fechou os olhos novamente e para sempre.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Sol e a Lua

© 2009 Vinnicius Silva da Rosa


O gaúcho chegou a cavalo parando próximo ao galpão. O sol avermelhado desenhava as árvores nas paredes toscas. Lá dentro, a roda de chimarrão já animava o final do dia. Muitos assuntos causaram risadas, mas um estrondo assustador estremeceu as telhas do recanto. Rostos assustados se cruzaram. Todos correram para fora ver o estava acontecendo. Bem próximo, ao lado da porteira que dava acesso ao local, estava um círculo de metal brilhante parcialmente enterrado na terra. Todos se aproximaram, tocaram no objeto, mas não conseguiram identificá-lo.
Momentos depois, lá de dentro do galpão, um pequeno gauchinho de três anos de idade correu desajeitado e apontou com o dedinho para um determinado ponto do objeto. Todos convergiram os olhares e notaram uma lua nova desenhada em relevo.
Quando o sol se escondeu totalmente por detrás dos montes sutis do horizonte, a lua do círculo começou a brilhar intensamente. Ao redor dela, muitas estrelas começaram a surgir, como se todos estivessem olhando para o céu. O gauchinho começou a pular e a puxar a camiseta de uma senhora apontando para o escuro. Ouviram outro barulho. E mais outro.
Olharam para trás e viram a porta de madeira do sótão batendo com muita força. O menino riu. O círculo era um lago e o cavalo continuava a relinchar tranqüilo.

domingo, 9 de agosto de 2009

O Inverso

© 2009 Vinnicius Silva da Rosa

O inverso
Do continuar e do belo
Asas que levam o pássaro
A voar sobre os rios

As montanhas
Dos ventos gelados
Dos pássaros admirados
Que continuam a voar

Os raios de luz
Vermelhos e bravos
Explodem nos céus
E derrubam os pássaros

No inverso do céu
Não se pode voar
Aquecem-se os ventos
E a chuva no ar.

sábado, 1 de agosto de 2009

As Chamas

© 2009 Vinnicius Silva

Estão colocando fogo no passado. O homem ficou branco, perdeu o nariz e morreu. As praias começaram a sumir. Eu já não tenho mais paciência para jogar vídeo game. A fumaça da chama das memórias desenha no céu os filmes, as frases, as músicas que hoje não vejo mais. O cheiro do passado se espalhou pelo ar. Não consigo mais respirar. O mundo virou uma fumaça. Fuligens das coisas ruins caem na grama verde, e o passado se dissolve nos ares da atualidade. Ninguém entende o porquê desta fatalidade. É apenas a chama do furuto.

sábado, 4 de julho de 2009

Trilhos de Prata



© Vinnicius Silva da Rosa


Por quilômetros

Refletindo o azul

Por caminhos sem fim

Milhares de sons


Palmeiras

Coqueiros

São flores

Pinheiros


Quando o reflexo

Torna-se preto

Milhares de pessoas

Ficam brancas


Mas do outro lado

Ressurge o azul

O som

E o sol.



______________________________________________

(c) 2006-2012 Vinnicius Silva