domingo, 4 de novembro de 2007

O Rincão do Inferno

© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

O sol avermelhado do final da tarde desenhou a silhueta arredondada da coxilha daquele lugar sofrido. Os meninos, moradores da pequena casinha de madeira, estavam na varanda, admirando aquele lindo final de dia. Um deles escutou o barulho de um caminhão Austin, ao longe. Ele se levantou, apontou o dedinho em direção ao barulho e disse aos amigos:

- Vejam! Quem será que está naquele caminhão?

- Deve ser o dono da estância! – respondeu outro menino.

- Não, eu acho que é o capataz trazendo a nossa comida da cidade!

O caminhão desapareceu novamente por entre as coxilhas e não apareceu mais. Os meninos entraram na casinha e foram dormir. A escuridão daquele lugar estava anunciando um novo dia. Um novo futuro? Havia apenas uma coisa certa: no dia seguinte, o sol avermelhado iluminaria a vida incerta do Rincão do Inferno.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Irracional

© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

Uma menina perdida vagava pela floresta à noite. De repente ela encontrou cinco corujinhas sentadas conversando. Ela pediu ajuda, mas as criaturinhas estavam fofocando. A menina ficou irritada e pisou numa delas. Apavoradas, as outras começaram a chorar. A raiva da menina aumentava a cada segundo.

Logo, o sol apareceu, e as quatro corujinhas que restaram fugiram para longe. A menina esmagou a vida das pobres corujinhas. A vida dela já estava destruída... Por que não destruir o mundo?

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

"Saudavelzitude"

© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

Logo de manhã, perto do meio dia, a menininha, pisando de meias no piso gelado, foi até a geladeira. Abriu a porta, mas encontrou apenas verduras. Ela estava faminta, e não havia “nada” na geladeira. Pela primeira vez na vida ela fez uma salada: espalhou os ingredientes na mesa, cortou-os e colocou em um prato. Ela parou por um minuto, escorou-se na mesa – olhando a salada feita - e sentiu que estava faltando alguma coisa. A menininha foi até o armário e pegou o saleiro.

Então, delicadamente, encheu a salada de sal! Na primeira mordida, sua boca secou, e a pobre menininha correu em direção à torneira para beber água. Para seu desespero, em vez de água, saiu vento!

Naquele momento, sua mãe chegou trazendo algumas compras. A menininha correu para as sacolas, abriu uma garrafa de água mineral e bebeu toda em um gole só. A mãe da menininha riu apavorada e disse:

- Que bom que você quis comer algo saudável filha!

E a menininha falou:

- Sim, mas a “insaudavelzitude” do sal estragou a “saudavelzitude” da salada!

- Quê?! Beba mais água minha filha!

FIM

Inspirado na incrível criatividade e sensibilidade de Gabriela Brazil, “uma brasileira!”

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O trem da Vida

© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

João não sabia o que fazer. Caminhava pra a janela, dava um chute na cadela... Ele estava completamente louco. Mais um pouco, destruiria o seu apartamento. A vida dele se resumia nas coisas materiais. Ele era uma pessoa que não fazia o mal, mas não fazia o bem. Ao olhar pela janela, viu um trem recém chegado na estação, com muitas pessoas desembarcando. Passado um tempo, ele percebeu que havia uma criança perdida no meio da multidão. Ele foi até lá.

A cadela o seguiu. Quando chegou perto do menino, ela começou a latir. O menino ficou prado, sem esboçar nenhum tipo de reação. João chegou mais perto do menino e viu que ele estava de olhos fechados. A cadela latiu novamente e o menino abriu os olhos.

João caiu de costas pelo susto. O menino não tinha olhos, estava perdido, não sabia pra onde ir.

FIm

domingo, 9 de setembro de 2007

Terra

© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

O menino pula
No piso quente
Querendo um dia
Se tornar gente

Ainda não
Foge do chão
Nem toca o céu
Deste mundão

Quando crescer
Ele verá
que não há como
se libertar

No meio termo
em que ele vive
outra pessoa
nem sobrevive

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O Fim do Infinito

© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

Meu professor de física não aceita o fato de que duas retas paralelas nunca se encontram. Segundo ele, se adotarmos como referência a nossa visão, os trilhos da viação férrea (linhas paralelas), por exemplo, se encontram lá ao longe. Tudo fica menor ao longe. O que parece pequeno é grande, o que parece finito é infinito...

Se alguém está onde as linhas paralelas da minha visão se encontram, significa que eu não existo. Ao mesmo tempo, eu não posso ver esse alguém também! Será que, para cada um de nós, o mundo é finito quando adotamos um pondo de vista errado? Devemos acreditar no que vemos?

Aquilo que parece ser, não é. E o que é, não aceitamos. Se não soubermos a verdade, o final da linha terá um fim. A verdade é que o fim é infinito.

FIM

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Voando


© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

Quando o nosso barco voador alcançou o topo da montanha, ficamos apreensivos. Os pássaros nos recebiam dando vôos rasantes. Podíamos ver as nuvens encobrindo a nossa cidade, lá ao longe. Descemos do barco por uma corda e logo em seguida o barco foi embora. Caminhamos alguns metros procurando o cristal.
Silêncio...

Gritos, discussões e empurrões se iniciaram. Onde estaria o Cristal? Nós estávamos no alto do nada, preocupados porque os cavalos alados não chegavam. Assim, não teríamos como voltar rapidamente para casa.

Dormimos.

Acordei de manhã com o sol queimando o meu rosto. Os outros haviam desaparecido. Eu podia ver a minha cidade, visível naquele momento, mas eu não podia voltar. Onde estariam os outros?

Uma luz muito forte desenhou minha sombra nas pedras, olhei para trás e vi um cristal gigante brilhando.

Era a minha mãe, estava na hora de ir para a aula.

FIM

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Arranha-céu


© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

Eu ainda estava no elevador, com um copinho de café queimando a minha mão, quando o meu telefone celular tocou. A porta do elevador se abriu, joguei o copinho no lixo do corredor e fui até a saída do prédio. O meu telefone insistia, mas eu não queria atendê-lo. Eu só queria fazer uma coisa: ir para casa. Eu sempre caminhava dois quilômetros, nem me incomodava. Mas naquele dia eu não queria caminhar. Eu só queria tomar um ar, respirar... Na verdade, o trabalho não me deixava respirar. Ele me perseguia no celular, eu não queria atender, não queria trabalhar. No caminho de casa, avistei um bar. Pensei em entrar, mas eu não queria me afundar como alguns amigos.

Atravessei a rua e de repente um carro me pegou.

Uma mão macia e agradável me acordou, tocando o meu rosto, no quarto do hospital. Era a minha menina. Foi ela que me chamou insistentemente no elevador, não era o trabalho.

Trabalho, eu só pensava nele... Acho que vou adiar a reunião desta noite.

Os cinco.

Gabriela Vargas, do A Dona da História, uma das únicas admiradoras do meu blog (será?), deu-me de presente o selo: The Power of Schmooze.


O prêmio foi criado pelo Mike do Ordinary Folk. Este prêmio é uma tentativa de reunir os blogs que são adeptos aos relacionamentos "inter-blogs" fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo.Antes das regras, vale aqui uma definição de SCHMOOZE, vocês não vão encontrar facilmente o termo em algum dicionário convencional.
Regras:

1. Se, e somente SE, você receber o "Thinking Blogger Award" ou "The Power of Schmooze Award", escreva um post indicando 5 (cinco) blogs que tem esse perfil "schmoozed" ou que tenha te "acolhido" nesta filosofia. (se não entendeu, leia a explicação no parágrafo anterior de novo).

2. Acrescente um link para o post que te indicou e um para o post do Mike, para que as pessoas possam identificar a origem deste meme.

3. Opcional: Exiba orgulhosamente o "Thinking Blogger Award" ou o "The Power of Schmooze Award" com um link para este post que você escreveu.



Os cinco indicados são:

A Dona da História – Gabriela Vargas
Cotidiano – Lia Noronha
Foto Diário – Mário Henriques
Placeres Sencillos – Marina Maia
Um Ser Estranho- Jú M.

blog blog blog blog blog!

sábado, 14 de julho de 2007

Colona




© 2007 Vinnicius Silva da Rosa

A casa da colona
Era quente com lareira
Era suja e fedida
Toda feita de madeira

As paredes da vivenda
Eram sujas de gordura
Na casa desta lenda
Vivia uma feiúra

Caldo na panela
Na porta, uma cadela,
Sentada esperando
Os restos da manhã

A colona era sã,
uma velha cozinheira.
Lia livros muito velhos
Escolhidos na peneira.

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(c) 2006-2012 Vinnicius Silva